Há 121 anos nascia o ex-governador Agamenon Magalhães

Nesta quarta-feira (5), há exatos 121 anos, em 05/11/1893, nascia o ex-governador Agamenon Sergio de Godoy Magalhães, em Vila Bela (Serra Talhada). Sérgio Nunes de Magalhães e Antonia de Godoy Magalhães, descendendo pelo lado paterno de Agostinho Nunes de Magalhães, fundador da cidade. Agamenon foi batizado pelo “Cônego Tôrres”, na antiga Matriz da Penha (na época localizada no centro da atual praça Sérgio Magalhães). Era de uma família numerosa, tinha 9 (nove ) irmãos: Djanira, Rosa (Santa ), Ageu, Tereza (Iaiá ), Luiz, Maria Auxiliadora, Zuleick, Aracy e Sérgio. Seu pai, o Dr. Sérgio Magalhães, juiz de direito, havia assinado um pedido de hábeas corpus em favor de Delmiro Gouveia, um industrial que preconizava a industrialização do nordeste.

agamenon magalhaes

Fotografia do ex-governador Agamenon Magalhães, nascido em Serra Talhada (PE). Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife, Agamenon entrou na politica por influência do pai, Dr. Sergio Magalhães, ex-deputado federal. Nela, ele conseguiu galgar os cargos de deputado estadual (1918-1924), deputado federal (1924-1950), ministro da Justiça e do Trabalho (1933-1938) e governador de Pernambuco (1938-1945 e 1950-1952).

O governador Sigismundo Gonçalves, contrariado com tal atitude, colocou o juiz em disponibilidade, deixando-o com apenas uma terça parte dos seus vencimentos. Diante do ocorrido, a família veio de mudança para o Recife. Na época Agamenon tinha 11 anos de idade. Adolescente, ele vai estudar no seminário de Olinda, a pedido do pai, que queria vê-lo seguir a carreira eclesiástica, porém lá ficou apenas dois anos de onde sai e ingressa no Ginásio Pernambucano. Formou-se em Direito, em 1916, pela Faculdade de Direito do Recife, em seguida venceu o concurso para cátedra em geografia do Colégio Estadual. Ao mesmo tempo foi promotor público em São Lourenço da Mata (PE) e já em 1918 iniciou sua carreira política como deputado estadual eleito pelo Partido Republicano Democrata (PRD), liderado pelo então Governador Manuel Borba. Em 16 de julho de 1919, no Palácio da Justiça casou-se no civil com Maria Antonieta de Magalhães. Deste casamento teve três filhos. Nesta mesma época era também redator dos jornais A ORDEM e A PROVÍNCIA, ambos do Recife. Em 1922 reelegeu-se para Assembleia Estadual e apoiou a candidatura de Nilo Peçanha à presidência da República. Em 1923 disputou uma vaga para Câmara Federal e foi eleito. Quatro anos depois renovou seu mandato. Agamenon era dotado de extraordinária inteligência e desde o inicio de sua vida pública demonstrou tendência à liderança, e assim, com este espírito, em 1929/1930, fazendo oposição ao então governador de Pernambuco, Estácio Coimbra, apoiou a candidatura de Getúlio Vargas para presidência da nação. Com a revolução de 30, foi nomeado por Vargas para o Ministério do Justiça e depois para o do Trabalho. Em 1938, foi nomeado governador de Pernambuco ficando no cargo até 1945 quando voltou para o ministério da Justiça. Em 1947 foi eleito deputado federal e em 1950 foi candidato contra João Cleophas de Oliveira para o governo estadual na maior eleição já vista em Pernambuco do qual saiu vencedor. Faleceu vitima de um infarto em 24 de agosto de 1952, no exercício governamental, quando era sondado para ser o sucessor de Vargas na presidência do Brasil.

Túnel do Tempo (02/11 a 08/11)

Nesse domingo (2), há exatos 85 anos, em 02/111929, pelo decreto nº 5.738 do Governo Federal ficava “Autorizado o Poder Executivo a contribuir com a quantia de 400:000$000 para a construcção, pelo Estado de Pernambuco, do açude “Sacco”, no município de Villa-Bella, naquelle Estado. Ass. Washigton Luis”.

Nesta segunda-feira (3), há exatos 74 anos, em 03/1-1940, o governador Agamenon Magalhães juntamente com o prefeito do Recife (PE), Antônio Novaes Filho, e o chefe da casa militar e da 7 região militar, general Mascarenhas de Morais, reúnem os aspirantes a oficiais do exercito brasileiro em um jantar.

Nesta terça-feira (4), há exatos 76 anos, em 04-11-1938, o governador Agamenon Magalhães, em sua coluna semanal do jornal “Folha da Manhã”, comemorava um ano de interventoria dizendo aos leitores que “Pernambuco: nem eu prometi em vão, nem em vão vos confiastes. Não viria governar o meu Estado senão para assegurar ao povo de minha terra melhores condições de vida. Em vez de artifícios enganadores, eu trouxe um plano de recuperação econômica e social de Pernambuco. O poder no Estado Novo não é poder pelo poder. É o poder pelo trabalho. Não transigi com minhas próprias paixões, não transigi com qualquer interesse. Só tive uma preocupação, do bem público. Meu governo não tem confronto, porque governei à luz do dia, com a colaboração de todas as classes. A solução dos problemas econômicos foi encaminhada. Justiça, eu procurei realizá-la atenuando as dificuldades da fortuna, combatendo as explorações. Nenhum interesse particular pode lograr predomínio sobre interesse público”.

Nesta quarta-feira (5), há exatos 121 anos, em 05-11-1893, nascia o ex-governador Agamenon Sergio de Godoy Magalhães, em Vila Bela (Serra Talhada). Sérgio Nunes de Magalhães e Antonia de Godoy Magalhães, descendendo pelo lado paterno de Agostinho Nunes de Magalhães, fundador da cidade. Agamenon foi batizado pelo “Cônego Tôrres”, na antiga Matriz da Penha (na época localizada no centro da atual praça Sérgio Magalhães). Era de uma família numerosa, tinha 9 (nove ) irmãos: Djanira, Rosa (Santa ), Ageu, Tereza (Iaiá ), Luiz, Maria Auxiliadora, Zuleick, Aracy e Sérgio. Seu pai, o Dr. Sérgio Magalhães, juiz de direito, havia assinado um pedido de hábeas corpus em favor de Delmiro Gouveia, um industrial que preconizava a industrialização do nordeste. O governador Sigismundo Gonçalves, contrariado com tal atitude, colocou o juiz em disponibilidade, deixando-o com apenas uma terça parte dos seus vencimentos. Diante do ocorrido, a família veio de mudança para o Recife. Na época Agamenon tinha 11 anos de idade. Adolescente, ele vai estudar no seminário de Olinda, a pedido do pai, que queria vê-lo seguir a carreira eclesiástica, porém lá ficou apenas dois anos de onde sai e ingressa no Ginásio Pernambucano. Formou-se em Direito, em 1916, pela Faculdade de Direito do Recife, em seguida venceu o concurso para cátedra em geografia do Colégio Estadual. Ao mesmo tempo foi promotor público em São Lourenço da Mata (PE) e já em 1918 iniciou sua carreira política como deputado estadual eleito pelo Partido Republicano Democrata (PRD), liderado pelo então Governador Manuel Borba. Em 16 de julho de 1919, no Palácio da Justiça casou-se no civil com Maria Antonieta de Magalhães. Deste casamento teve três filhos. Nesta mesma época era também redator dos jornais A ORDEM e A PROVÍNCIA, ambos do Recife. Em 1922 reelegeu-se para Assembleia Estadual e apoiou a candidatura de Nilo Peçanha à presidência da República. Em 1923 disputou uma vaga para Câmara Federal e foi eleito. Quatro anos depois renovou seu mandato. Agamenon era dotado de extraordinária inteligência e desde o inicio de sua vida pública demonstrou tendência à liderança, e assim, com este espírito, em 1929/1930, fazendo oposição ao então governador de Pernambuco, Estácio Coimbra, apoiou a candidatura de Getúlio Vargas para presidência da nação. Com a revolução de 30, foi nomeado por Vargas para o Ministério do Justiça e depois para o do Trabalho. Em 1938, foi nomeado governador de Pernambuco ficando no cargo até 1945 quando voltou para o ministério da Justiça. Em 1947 foi eleito deputado federal e em 1950 foi candidato contra João Cleophas de Oliveira para o governo estadual na maior eleição já vista em Pernambuco do qual saiu vencedor. Faleceu vitima de um infarto em 24 de agosto de 1952, no exercício governamental, quando era sondado para ser o sucessor de Vargas na presidência do Brasil.

Nesta quinta-feira (6), há exatos 14 anos, em 06-11-2000, toda a atenção da mídia política brasileira estava voltadas para o Palácio do Planalto e o “lançamento oficial da candidatura do líder do PSDB, deputado Aécio Neves (MG), a presidente da Câmara, prevista para quarta-feira. Para que o lançamento não crie um impasse, fechando as portas para uma negociação com o PFL do líder Inocêncio Oliveira (PE), também candidato, o presidente FHC fez uma exigência: “que além da festa com a presença de prefeitos e cardeais do partido, Aécio apresente sua plataforma eleitoral”. A ideia do PSDB é pôr a presidência da Câmara na agenda da sociedade, para reaproximá-la da Casa. Mais do que uma administração centrada na ética e no decoro, quer propor à sociedade que participe da elaboração da pauta do Legislativo. Mesmo assim, a briga entre PFL e PSDB pelo comando da Câmara assusta ministros e líderes governistas. Eles avaliam que não há como FHC sair-se bem da disputa, seja qual for o resultado”. Dito como candidato de consenso para um novo mandato de presidente da Câmara Federal, o deputado Inocêncio Oliveira se viu “traído” pelo partido do presidente FHC que lançou a candidatura do deputado Aécio Neves, que venceu a disputa em fevereiro do ano seguinte (2001), deixando o deputado Inocêncio irritado ao ponto de se rebelar e votar na candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PPS) e naco do candidato governista José Serra (PSDB).

Nesta sexta-feira (7), há exatos 118 anos, em 07-11-1896, nascia o cangaceiro Levino Ferreira da Silva, no sitio Passagem das Pedras, na Fazenda Ingazeira, em Vila Bela (Serra Talhada). Conhecido no meio do cangaço como “Vassoura”, ele era o primeiro filho do agricultor José Ferreira da Silva com a dona de casa Maria Lopes de Oliveira, a Maria Jacoza, que já era mãe de Antônio Ferreira da Silva de um relacionamento extracomungal como Venâncio Barbosa Nogueira, da Fazenda Matinha. Irmão do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, desde cedo Levino tinha um comportamento mais essaltado, diferentemente dos outros irmãos. Participou de diversos combates e era famoso pela forma de combater sempre cantando ou com xigamentos. Faleceu em 1926 em um combatre contra a Força Volante na Fazenda Melancia, em Flores (PE), sem deixar filhos.

Neste sabado (8), há exatos 23 anos, em 01-11-1991, o deputado federal Salatiel Carvalho (PFL) faz um protesto na Câmara dos Deputados contra o patrocionio do Banco do Brasil na construção de uma estatua em homenagem ao cangaceiro Lampião, no municipio de Serra Talhada, em Pernambuco.

Há 107 anos nascia o industrial João Santos, do Cimento Nassau

Nesse domingo (26), há exatos 107 anos, em 26-10-1907, nasceu o industrial João Pereira dos Santos, na Fazenda Ladeira Vermelha, em Vila Bela (Serra Talhada). Filho mais moço de Rita Pereira Valões e de José Bernardino Gomes dos Santos, próspero fazendeiro e ex-conselheiro municipal de Vila Bela assassinato na questão entre as famílias Pereira e Carvalho. Órfão de pai antes mesmo de completar um ano de idade, logo em seguida sua família sofre outro duro golpe: foi em 1909 quando, por conta de dessas brigas políticas locais, todos os bens dos Pereira Santos são destruídos ou ocupados (inclusive a fazenda) e eles são obrigados a deixar Pernambuco.

joão santos

Fotografia do industrial João Pereira dos Santos, nascido em Serra Talhada (PE) e que durante os últimos 50 anos foi um dos três homens mais ricos de todo o nordeste brasileiro. Ele era conhecido como o “Rei do Cimento”.

Viúva e filhos seguem, então, para a região de Paulo Afonso, Bahia, em busca de sobrevivência. Na Bahia, em 1915 os Pereira Santos conhecem o famoso industrial Delmiro Gouveia e o menino João, então com oito anos, arranja o seu primeiro emprego: vai trabalhar na seção de etiquetas da Fábrica de Linhas da Pedra, empreendimento instalado no ano anterior em terras alagoanas pelo pioneiro da energia elétrica no Nordeste. Na linha de montagem da Fábrica, João Santos sofre um acidente que lhe mutila um dedo da mão e é transferido para o escritório, passando a exercer a função de “menino-de-recados” de Delmiro. Começa freqüentar a escola na vila operária da Pedra e é também ali que aprende a tocar saxofone. Em 1922, João Santos muda-se para Jaboatão, onde passa a estudar e tocar na banda da escola paroquial. Concluído o curso ginasial, em 1924 João Santos troca Jaboatão por Recife, passa a trabalhar no escritório da Great Western, onde percebe o salário de 60 mil réis ao mês. Nessa época, abandona o saxofone e, para conciliar emprego e colégio, enfrenta jornadas estafantes. Muitas vezes, utiliza o recurso de mergulhar os pés em água fria enquanto vara a madrugada debruçado sobre os livros. Aos 19 anos, trabalha na empresa Cahuás & Irmãos (armarinho), com salário de 200 mil réis, faz curso de inglês e conquista o título de guarda-livros, equivalente hoje a contador. Em janeiro de 1930, aos 22 anos de idade, torna-se bacharel em Ciências Econômicas, pela então Faculdade de Comércio de Pernambuco. Diploma universitário na mão, logo consegue o seu primeiro bom emprego, agora na empresa Adriano Ferreira & Cia, com salário de 400 mil réis por mês. Começa como chefe de escritório, torna-se diretor da seção de vendas e um ano mais tarde, em 1931, já é sócio da empresa. Conquista obtida, segundo ele, com a poupança do que ganhava de salário e comissão de vendas de três por cento. Em 1934, casa-se com Maria Regueira dos Santos e, em sociedade com o português Adriano Ferreira, dá o seu primeiro grande passo como empresário: compra a Usina Sant’Ana de Aguiar, em Goiana, da qual detinha 35% das ações. Um ano mais tarde, João Santos e Adriano vendem esta usina. Em 1937, João Santos insiste na condição de usineiro. Tendo ainda Adriano Ferreira como sócio, compra a Usina Santa Teresa, com 50% de participação no negócio. Os dois administram a empresa até 1939, quando o português deixa o Brasil e vende suas ações ao companheiro. Sozinho à frente da usina, João Santos parte para a construção do seu grupo. Em 1951, cria a Fábrica de Cimento Nassau, fundando para este fim a Itapessoca Agro Industrial SA, na época a maior unidade do ramo instalada no Nordeste. Para consolidar sua empresa, além de visão empresarial e disposição para o trabalho, João Santos contou com apoio de pessoas influentes, entre as quais o general Cordeiro de Farias que governou Pernambuco entre 1955/58. Do cimento, passou a diversificar seus negócios e chegou à década de 90 comandando um dos mais importantes conglomerados industriais do País, o Grupo Industrial João Santos, que gera 10 mil empregos diretos, formado por empresas nos ramos da agropecuária, comunicação (rádio, jornal e televisão) e táxi aéreo, espalhadas em vários Estados brasileiros. Falecido em 15 de abril de 2009, aos 101 anos, João Santos deixou com dona Maria Regueira dos Santos os seguintes filhos: João (falecido), José Bernardino, Geraldo (falecido), Fernando, Rosália, Ana Maria e Maria Clara.

 

Túnel do Tempo (26/10 a 01/11)

Nesse domingo (26), há exatos 107 anos, em 26/10/1907, nasceu o industrial João Pereira dos Santos, na Fazenda Ladeira Vermelha, em Vila Bela (Serra Talhada). Filho mais moço de Rita Pereira Valões e de José Bernardino Gomes dos Santos, próspero fazendeiro e ex-conselheiro municipal de Vila Bela assassinato na questão entre as famílias Pereira e Carvalho. Órfão de pai antes mesmo de completar um ano de idade, logo em seguida sua família sofre outro duro golpe: foi em 1909 quando, por conta de dessas brigas políticas locais, todos os bens dos Pereira Santos são destruídos ou ocupados (inclusive a fazenda) e eles são obrigados a deixar Pernambuco. Viúva e filhos seguem, então, para a região de Paulo Afonso, Bahia, em busca de sobrevivência. Na Bahia, em 1915 os Pereira Santos conhecem o famoso industrial Delmiro Gouveia e o menino João, então com oito anos, arranja o seu primeiro emprego: vai trabalhar na seção de etiquetas da Fábrica de Linhas da Pedra, empreendimento instalado no ano anterior em terras alagoanas pelo pioneiro da energia elétrica no Nordeste. Na linha de montagem da Fábrica, João Santos sofre um acidente que lhe mutila um dedo da mão e é transferido para o escritório, passando a exercer a função de “menino-de-recados” de Delmiro. Começa freqüentar a escola na vila operária da Pedra e é também ali que aprende a tocar saxofone. Em 1922, João Santos muda-se para Jaboatão, onde passa a estudar e tocar na banda da escola paroquial. Concluído o curso ginasial, em 1924 João Santos troca Jaboatão por Recife, passa a trabalhar no escritório da Great Western, onde percebe o salário de 60 mil réis ao mês. Nessa época, abandona o saxofone e, para conciliar emprego e colégio, enfrenta jornadas estafantes. Muitas vezes, utiliza o recurso de mergulhar os pés em água fria enquanto vara a madrugada debruçado sobre os livros. Aos 19 anos, trabalha na empresa Cahuás & Irmãos (armarinho), com salário de 200 mil réis, faz curso de inglês e conquista o título de guarda-livros, equivalente hoje a contador. Em janeiro de 1930, aos 22 anos de idade, torna-se bacharel em Ciências Econômicas, pela então Faculdade de Comércio de Pernambuco. Diploma universitário na mão, logo consegue o seu primeiro bom emprego, agora na empresa Adriano Ferreira & Cia, com salário de 400 mil réis por mês. Começa como chefe de escritório, torna-se diretor da seção de vendas e um ano mais tarde, em 1931, já é sócio da empresa. Conquista obtida, segundo ele, com a poupança do que ganhava de salário e comissão de vendas de três por cento. Em 1934, casa-se com Maria Regueira dos Santos e, em sociedade com o português Adriano Ferreira, dá o seu primeiro grande passo como empresário: compra a Usina Sant’Ana de Aguiar, em Goiana, da qual detinha 35% das ações. Um ano mais tarde, João Santos e Adriano vendem esta usina. Em 1937, João Santos insiste na condição de usineiro. Tendo ainda Adriano Ferreira como sócio, compra a Usina Santa Teresa, com 50% de participação no negócio. Os dois administram a empresa até 1939, quando o português deixa o Brasil e vende suas ações ao companheiro. Sozinho à frente da usina, João Santos parte para a construção do seu grupo. Em 1951, cria a Fábrica de Cimento Nassau, fundando para este fim a Itapessoca Agro Industrial SA, na época a maior unidade do ramo instalada no Nordeste. Para consolidar sua empresa, além de visão empresarial e disposição para o trabalho, João Santos contou com apoio de pessoas influentes, entre as quais o general Cordeiro de Farias que governou Pernambuco entre 1955/58. Do cimento, passou a diversificar seus negócios e chegou à década de 90 comandando um dos mais importantes conglomerados industriais do País, o Grupo Industrial João Santos, que gera 10 mil empregos diretos, formado por empresas nos ramos da agropecuária, comunicação (rádio, jornal e televisão) e táxi aéreo, espalhadas em vários Estados brasileiros. Falecido em 15 de abril de 2009, aos 101 anos, João Santos deixou com dona Maria Regueira dos Santos os seguintes filhos: João (falecido), José Bernardino, Geraldo (falecido), Fernando, Rosália, Ana Maria e Maria Clara.

Nesta segunda-feira (27), há exatos 162 anos, em 27/10/1852, o Diário de Pernambuco trazia uma carta resposta do padre Joaquim Pinto de Campos sobre as denuncias feitas pelo juiz municipal João Calvalcanti de Albuquerque Mororó, da Fazenda Feijão, em Panelas (PE), sobre o saque ocorrido em outubro de 1848 na dita cidade do qual a povoação sofreu. O juiz Mororó acusava o padre Pinto de Campos de ser o mandante do saque sendo ele pronunciado na Comarca de Bonito, polemica esta que duraria ainda muito tempo. Sairam em defesa de Pinto de Campos vários deputados do Partido Conservador. Nos próximos meses o jornal “O Liberal Pernambucano”, órgão do Partido Liberal, bateria mais ainda no padre Pinto de Campos e chegando certa vez a divulgar um apelido dele de “Ganso do Capitólio”. Ao que parecer Pinto de Campos era deputado geral eleito pelo 5º distrito (Sertão) com 500 votos, ele e o deputado Francisco Carlos Brandão, de Cabrobó (PE).

Nesta terça-feira (28), há exatos 139 anos, em 28/10/1875, era exonerado a pedido o juiz de direito de Vila Bela (Serra Talhada), bacharel Francisco Luis Correia de Andrade, que seria depois nomeado em uma Comarca na Provincia de Alagoas. Em seu lugar foi nomeado o bacharel Antônio Joaquim Correa de Araújo, sob influência politica do coronel Andrelino Pereira da Silva (Barão do Pajeú).

Nesta quarta-feira (29), há exatos 69 anos, em 29/10/1945, o jornal “Folha da Manhã” trazia uma materia sobre a renuncia do presidente Getúlio Vargas, dizendo que “pouco depois da meia noite, conseguimos chegar ao Palácio Guanabara e subir até à Secretaria da Presidência, acompanhados pelo Chefe da Segurança do Guanabara. Nesse momento, o Ministro da Fazenda retirava-se para sua residência e tivemos oportunidade de interrogá-lo. Disse o Sr. Sousa Costa que, depois dos entendimentos havidos com os representantes das forças armadas, ficara assentado que o Presidente e o seu Ministério renunciariam amanhã, passando o Governo ao Ministro do Supremo Tribunal José Linhares, Presidente do Tribunal Eleitoral. Em seguida, o Sr. Sousa Costa, despedindo-se, acrescentou: — “O Sr. Getúlio deixará o Governo amanhã, mas, dentro de três dias, já terão saudades dele’. Continuando a reportagem o jornal afirmava que “cinco minutos mais tarde, saiam em automóveis fechados, os Srs. Luís Vergara e André Carrazoni. Em outro carro, os Ministros da Agricultura e da Justiça. A multidão que se aglomerava em frente ao Palácio, tentou vaiar o Ministro Agamenon Magalhães, sendo impedida pela Polícia. No Palácio encontravam-se, rodeando o Sr. Getúlio, os membros de sua Casa Militar, pessoas da família e coestaduanos. No jardim do Guanabara havia numerosos policiais e soldados da Polícia Especial. É possível que, ainda esta madrugada, seja entregue à imprensa uma nota do Governo, explicando os fatos. Não se sabe ainda a hora da posse do Ministro José Linhares. Não há ministros presos. Nenhum jornalista entrou em Palácio durante os acontecimentos”.

Nesta quinta-feira (30), há exatos 22 anos, em 30/10/1992, o deputado federal Inocêncio Oliveira (PFL-PE) em discurso na Câmara dos Deputados faz um comentário sobre a series de reportagens do jornalista Magno Martins, do Diário de Pernambuco, sobre os arrastões da fome no sertão pernambucano. Faz um apelo ao ministro Alexandre Costa, da Integração Nacional, no sentido de agilização da transferência de recursos, na área do DNOCS, para a continuidade de obras essenciais ao desenvolvimento daquela região, especificamente o açude de Serrinha, em Serra Talhada e o perímetro irrigado de Moxoto, em Ibimirim-Inajá. Em 19 de maio de 1995 o presidente Fernando Henrique liberaria verba para a concretização dessa obra em Serrinha, sendo ela reiniciada.

Nesta sexta-feira (31), há exatos 101 anos, em 31/10/1903, são nomeados pelo Diario Oficial da Republica, orgão do Ministerio da Justiça, para o cargo de suplente de juiz municipal os srs. Antônio Alves da Fonseca Barros, Braz Cordeiro dos Santos e Manoel Alves de Carvalho Barros.

Neste sabado (1), há exatos 23 anos, em 01/11/1991, era nomeada diretora da Faculdade de Formação de Professores de Serra Talhada (FAFOPST) a psicologa Dra. Ildete Gomes Diniz e Silva, filha do ex-vereador de Santa Cruz da Baixa Verde, sr. Augusto Diniz, correligionário politico do deputado federal Inocêncio Oliveira, este padrinho politico do prefeito municipal na epoca, Dr. Ferdinando Feitosa. A nomeação dessa diretora era para substituir o professor Geraldo Joaquim da Silva.

O Linguarudo #02

Por Luiz Ferraz Filho

A estrada para Brasília

O empenho do prefeito Luciano Duque (PT) para fazer a sua candidata presidencial Dilma Rousseff majoritária em Serra Talhada tem um significativo maior nessa eleição. Sem poder contar com um deputado federal de seu partido no próximo ano devido a derrota de todos os postulantes do Partido dos Trabalhadores o prefeito se encontra em uma sinuca de bico. Caso a presidenta seja reeleita ele gozará de prestigio junto ao partido em âmbito estadual, até porque, a única prefeitura de expressão eleitoral para o PT em todo o Pernambuco é a cidade de Serra Talhada. Qualquer criança sabe que em caso de derrota de Dilma e da subida ao poder do PSDB, com Aécio Neves, candidato apoiado pelo governador eleito Paulo Câmara (PSB), todos os correligionários contrários sofreram alguma retaliação ao modo antigo e arcaico de fazer política em nosso país. Em suas passagens por Pernambuco nesse segundo turno, tanto Dilma quanto Aécio prometeram não retaliar politicamente seus adversários, porém, isso é conversa pra boi dormir. Não há como a Justiça Eleitoral descobrir e punir o governante que desprese uma cidade ou estado da federação, até porque, as conhecidas certidões negativas da burocracia brasileira são mais partidárias que os partidos políticos tornando-se o jeito leve e legal de dizer não a um pedido e empenho de uma obra. Aguardaremos o resultado eleitoral desse domingo.

Forte, muito forte – O deputado estadual Rodrigo Novaes (PSD) se fortaleceu bastante nesse ultima eleição estadual. Cacifado com 68 mil votos obtidos em sua maioria no sertão pernambucano não será nenhuma supressa caso seja convidado e indicado para uma pasta no secretariado estadual. Forte, Rodrigo Novaes foi o deputado mais votado do Sertão e isso lhe traz um forte argumento para tal projeto político.

A eleição na CMST – Já existe nos bastidores políticos um fogo de palha no monturo para a escolha da nova mesa diretora da Câmara de Vereadores de Serra Talhada. Como a cidade encontra-se hoje com 4 grupos políticos de maior visibilidade é esperar para vê o pega para capar que haverá ano que vem. Correndo para emplacar mais um mandato está o presidente Zé Raimundo (PTB) que se afastou do deputado estadual Augusto César (PTB) e hoje encontra-se sobre a tutela do grupo político do prefeito Luciano Duque (PT).

Inocêncio Oliveira, a esfinge – Ainda é de se esperar o desenrolar da puxada de tapete que o deputado federal Inocêncio Oliveira sofreu de seu partido, o PR-PE. Como militante político de expressão nacional seu apoio ao candidato Aécio Neves virou um espécie de termômetro político em Brasília ocasionando uma intervenção do presidente nacional da legenda em favor de outro partidário, porém, o deputado federal Anderson Ferreira declarou essa semana que amarelou em prol de Aécio e deixou o comando nacional em saia justa. Esse entrave só saberemos depois da escolha do novo presidente nesse domingo.

A raposa do IPSEP – Caladinho igual a uma raposa o vereador Antônio Rodrigues conseguiu o que já faz a cerca de três eleições na Capital do Xaxado. Sem muito alarde, deu um expressiva votação ao deputado estadual Eriberto Medeiros (PTC), que obteve cerca de 1,8 mil votos em nossa cidade. Com base no bairro do IPSEP e com vários serviços prestados na área civil na cidade, Antônio Rodrigues trabalha forte e a cada eleição sempre aumenta a votação de seu fiel tutor, o deputado estadual da cidade de Cumaru (PE).

PONTO POSITIVO – A reforma da BR-232 no trecho que corta nosso município foi de bom agrado a todos os habitantes apesar de inúmeros acidentes provocados pela má educação dos motoristas. Construída no governo Nilo Coelho, em 1969, essa BR foi a célula movedora do desenvolvimento do nosso município. Reformada nos governos Marco Maciel, em 1981, e no governo Jarbas Vasconcelos, em 2001, a rodovia já vinha apresentando uma grande depreciação ficando o transito lento e exaustivo no perímetro urbano. Ponto positivo para o governo João Lyra Neto.

PONTO NEGATIVO – O nível de baixaria ocasionado por ambos os partidos políticos nesse segundo turno na avenida Afonso Magalhães, em frente aos colégios e a Faculdade de Formação de Professores trouxe dor de cabeça para a maioria das pessoas que se abstiveram na polarização dessa eleição entre os candidatos Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). A noite em plena movimentação de estudantes e de alguns que passavam o local mais parecia que a disputa era em caráter municipal e não nacional entre as duas correntes partidárias. É por isso que muitos “vivem” da militância partidária, menos pessoal, mais amor e menos guerra.

Há 120 anos nascia o coronel João Lucas de Barros, das Piranhas

Nesta quinta-feira (23), há exatos 120 anos, em 23/10/1894, nascia o sr. João Alves de Barros, o coronel João Lucas, na Fazenda Piranhas, em Serra Talhada (PE). Filho de Lucas Alves de Barros e de Benvenuta Benigna de Barros, João Lucas ainda jovem recebeu a liderança política da família Carvalho, com a morte prematura do coronel Chico Alves, da Barra do Exu, morto em 1921. Político de rara habilidade, João Lucas gozava de grande prestígio na esfera regional por sua amizade com o deputado Eurico de Souza Leão. Foi eleito prefeito de Serra Talhada (PE) no período de 1925 a 1928, realizando várias obras, sendo a principal o Açougue Público, hoje onde está o prédio da Prefeitura Municipal, contribuindo para o progresso local. Perdeu o poder político local em 1930, após Getúlio Vargas perder as eleições presidenciais e o assassinato de João Pessoa que culminou com o golpe revolucionário, e João Lucas foi preso e encaminhado para o IV Exército em Recife (PE). Em liberdade, passou o resto de sua vida fazendo oposição aos correligionários do governo Vargas.

joão lucas de barros

Fotografia do ex-prefeito de Serra Talhada (PE), sr. João Alves de Barros, o coronel João Lucas nascido na Fazenda Piranhas, e que assumiu a chefia política da família Carvalho após a morte do coronel Chico Alves, da Barra do Exu. 

Libertado por ordem do Presidente da República Getúlio Vargas, a pedido do seu Ministro do Trabalho, José Américo de Almeida, que tomou conhecimento da prisão do seu “compadre João Lucas”, por intermédio de uma carta escrita pelo Sr. Antônio Romão de Farias, adversário político, mas amigo pessoal de João Lucas. Fez oposição ao Governador Agamenon Magalhães, mas sempre o visitava, a título de cortesia, quando este passava por Serra Talhada. Foi candidato a Deputado Estadual, perdendo por 17 votos, foi o primeiro suplente de Deputado no Estado, não assumiu a Assembléia Legislativa, por conta de um pedido ao Governador Agamenon Magalhães, para não nomear nenhum Deputado Estadual, para ser Secretário de Estado, feito pelo Coronel Cornélio Soares, principal Chefe Político do Governo na Região. Com a nova República, fundou a UDN, em Serra Talhada, com João Cleophas, posteriormente passando a Presidência ao Sr. Enock Ignácio de Oliveira, ingressando no PSP, a pedido do Governador Ademar de Barros, do qual era hospede e anfitrião. Falecido em 10 de maio de 1980, João Lucas era casado com dona Rosa Ribeiro de Barros, filha do chefe local dos Correios e Telégrafos, sr. Edmundo Antônio de Albuquerque Ribeiro e Dona Aurelina Ribeiro. Seus filhos foram 1- José Ribeiro de Barros, 2- Maria Augusta de Barros (Lia Lucas), 3- Edmundo Ribeiro de Barros (Dr. Buda) médico de muito conceito nesta cidade e em Salgueiro, 4- Filônio Ribeiro de Barros, 5- Juarez Ribeiro de Barros, 6- Antônio Ribeiro de Barros e 7- Maria José Ribeiro de Barros. Após ficar viúvo, já aos setenta anos, casou com Rita de Barros, foi pai de 8- João Alves de Barros Filho, 9- Clemeceau Alves de Barros, 10- Maria Antônia Alves de Barros e 11- Mirabeou Alves de Barros.

Há 92 anos, o coronel Gonzaga era morto por Lampião em Belmonte

Por Rostand Medeiros, do site www.tokdehistoria.com.br

Como já foi bastante comentado, devido as sérias perseguições contra a família de Virgulino Ferreira da Silva, seguido do assassinato do seu pai pela ação desastrosa de um grupo de policiais alagoanos no lugar Matinha de Água Branca, em 9 de junho de 1920, fez com que ele e seus irmãos Antônio e Livino, se transformem definitivamente em cangaceiros.

lampiao-2

O cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, que invadiu e saqueou a cidade de São José do Belmonte (PE), em 1922.

Os irmãos Ferreiras se juntam ao bando conhecido como Porcinos e depois, em agosto de 1920, passaram a servir sob as ordens do chefe cangaceiro Sebastião Pereira, o conhecido Sinhô Pereira. Em meio às ações junto com Sinhô, Virgulino recebe a alcunha de Lampião. A ligação de amizade entre Sinhô e Lampião vai ocasionar, em outubro de 1922, a morte de um importante comerciante chamado Luiz Gonzaga Lopes Gomes Ferraz, da cidade de Belmonte (atual São José do Belmonte), no sertão pernambucano. Este caso, um dos mais emblemáticos do período em que parte do Nordeste foi flagelado pela figura do temido cangaceiro Lampião, teve uma grande repercussão. Muito já foi comentado sobre este episódio, mas no Arquivo Público do Estado de Pernambuco, nas amareladas páginas dos antigos jornais, foi possível encontrar novas informações.

Uma Interessante Carta

No domingo, 11 de março de 1923, foi publicada no jornal recifense “A Província”, uma grande carta vinda da cidade de Belmonte, cujo autor se intitulou “Um Assignante”. Neste volumoso documento ele narra pormenorizadamente o conflito ocorrido na sua cidade em outubro do ano anterior, que culminou na morte do comerciante Gonzaga.

coronel-luiz-gonzaga-ferraz

Fotografia do coronel Luiz Gonzaga Lopes Ferraz, assassinado há 92 anos pelo bando de Lampião, a pedido do fazendeiro Crispim Pereira de Araújo, desafeto político e pessoal do coronel Gonzaga.

Em maio de 1922, segundo o autor da missiva publicada no periódico, se encontrava em Belmonte a volante policial Pernambucana, comandada pelo tenente Cardim. Esta volante estava a caça do grupo de cangaceiros de Sinhô Pereira e tinham informações que estes se encontravam no lugar “Olho D’água”, uma serra próximo a fronteira do Ceará e da Paraíba. Para alcançar seu objetivo o tenente Cardim solicitou apoio de uma volante da polícia cearense, que teria em torno de sessenta membros, cujo autor da carta não declina o nome do comandante, mas afirma que este era “um antigo cangaceiro”. Consta que Cardim desejava realizar um cerco contando com o apoio dos cearenses. Mas o comandante desta volante não participou da ação policial e, pior, saiu a praticar toda sorte de atrocidades contra a população, principalmente terríveis surras. Este fato assustou toda a comunidade e alertou o bando de Sinhô Pereira que desapareceu na caatinga. A carta afirmava que Cardim se encontrou com seu colega cearense, dispensou seu apoio, mas antes passou uma ríspida descompostura no seu comandante pela ação dos seus soldados. Evidentemente insatisfeito com a reprimenda, com a frustrada ação policial no estado vizinho ao Ceará, onde a sua marca principal era a tortura em larga escala na busca de informações, o tenente cearense buscava alguma compensação. Consta que o militar recebeu uma informação sobre um possível coiteiro e parente de Sinhô Pereira e, para não “perder a viagem”,  no caminho de volta para casa fez uma “visitinha” a esta pessoa e sua família. A propriedade era A Fazenda Cristóvão, que pertencia a Crispim Pereira de Araújo, conhecido como Ioiô Maroto, um homem pacato e que vivia longe de complicações, apesar de ser membro da família de Sinhô Pereira.

Segundo comenta a tradição oral da região , e que conseguimos apurar em nossa visita a Belmonte em 2008, o mínimo que posso dizer em relação à visita da volante cearense ao pobre do Ioiô Maroto foi que “o cacete comeu”. Sobrou até para sua já vetusta mulher e suas filhas. Consta que um policial negro, conhecido como “Uberaba”, teria praticado contra as mulheres “toda sorte de misérias e imoralidades, entre a risadaria de todos, inclusive do tenente que achava em tudo muito espírito”. Depois do ocorrido, segundo a versão publicada no jornal de 1923, consta que Ioiô Maroto soube que o oficial da polícia cearense esteve na cidade de Belmonte, onde se arranchou na casa de seu compadre e amigo, o comerciante Luiz Gonzaga Lopes Ferraz. Foi informado ao fazendeiro ultrajado que Gonzaga declinou ao perverso tenente que Ioiô Maroto era parente de Sinhô Pereira. O autor da carta publicada no jornal, por razões óbvias, não declinou o nome do militar, mas se sabe que ele era o tenente Peregrino de Albuquerque Montenegro.

Versões

Em seu livro “O Canto do Acauã” (2011, pág. 157), a pesquisadora Marilourdes Ferraz dá outra versão para o caso. Ela afirma que o tenente Montenegro recebeu uma carta, onde havia uma denúncia contra Ioiô Maroto, informando ser ele um coiteiro de cangaceiros. Segundo afirma a autora de “O Canto do Acauã”,  a dita carta foi falsamente atribuída ao comerciante de Belmonte. Por saber de qual família vinha Maroto, Gonzaga correu a afirmar ao fazendeiro que não tinha culpa neste caso.

coronel-luiz-gonzaga-ferraz 2

A ilustre visita do Bispo Dom Augusto Álvaro da Silva, a paróquia de Belmonte (PE) em 1912. Da esquerda para a direita sentados: Frei Lucas, D. Augusto Álvaro da Silva e Padre Sizenando de Sá Barreto. De pé: Coronel José de Carvalho e Sá Moraes, Capitão Tertuliano Donato de Moura, Manoel de Medeiros Filho, Dr. Isídio Moreira, Coronel Luiz Gonzaga Gomes Ferraz, Dr. Felisberto dos Santos Pereira, Capitão Miguel Lopes Gomes Ferraz, Capitão João Lopes Gomes Ferraz, Major Manoel da Mota e Silva, Tenente Augusto Nunes da Silva e o Major Joaquim Leonel Pires de Alencar. Crianças: Antônio Brandão de Alencar, Luiz Alencar de Carvalho (Luzinho), Otacílio Gomes Ferraz e Napoleão Gomes Ferraz. Fonte – Arquivo de Valdir Nogueira, Belmonte-PE, através do pesquisador Artur Carvalho.

Já autora de “As Táticas de Guerra dos Cangaceiros”, Maria Christina Russi da Matta Machado (1969, pág. 73), não afirma que Ioiô Maroto e Gonzaga eram amigos e nem compadres, mas que os dois tinham uma desavença antiga. A autora aponta, sem detalhar nada, que o problema entre os dois “foi coisa sem importância” e que Ioiô Maroto não imaginava que Gonzaga aguardasse a oportunidade de “liquidar as contas”, lhe denunciando a volante cearense que lhe desonrou em sua própria casa.

Já João Gomes de Lira, autor de “Memórias de um Soldado de Volante” (1990, págs. 77 e 78) tem outra versão. Segundo este antigo membro de volantes que perseguiu cangaceiros, Ioiô Maroto residia em um lugar chamado “Queimada Grande” e durante a surra aplicada pelos militares cearenses, soube da boca do próprio tenente Montenegro que  foi o comerciante Gonzaga a pessoa que lhe havia denunciado. Mas é a própria Marilourdes Ferraz que aponta duas ocorrências, que mostram uma possível solução deste pequeno mistério. A primeira razão teria ocorrido em maio de 1922, quando foi saqueada por Sinhô Pereira e seu bando, composto inclusive de Lampião e seus irmãos, uma carga de tecidos de Gonzaga que era transportada para Rio Branco, atual Arcoverde. Parte da carga foi distribuída entre os bandidos e o resto eles atearam fogo.

yoyo maroto

Fotografia do fazendeiro Crispim Pereira de Araújo, o Ioiô Maroto, que teve seu nome envolvido na morte do coronel Luiz Gonzaga Ferraz. Segundo seu neto, Valdenor Feitosa, quem está a direita de seu avô é Raimundo Neves Pereira, nascido em 12 de setembro de 1935, em Parambu(CE), conhecido como “Edmundo” e filho de Ioiô. Sentado no seu colo está o seu neto Dário, e à a sua esquerda se encontra a sua filha caçula, Francisca Neves Pereira. Esta foto foi tirada, na década de 40, do século XX, na fazenda Malhada, Município de Parambu, nos sertões dos Inhamuns, Estado do Ceará, próximo a fronteira com o Piauí onde Ioiô Maroto havia ido morar depois da questão.

A outra razão seria o fato que, depois desta ocorrência, Gonzaga começou a atender as exigências dos cangaceiros que viviam pela região. O comerciante, para se ver livre desta corja de malfeitores, entregava mercadorias e dinheiro. Entretanto, em uma ocasião em que estava ausente, consta que sua esposa, a Senhora Martina, tratou muito rispidamente o portador da mensagem dos bandoleiros. Diante dos episódios ocorridos, a autora afirma que Gonzaga contratou homens para a sua proteção, de sua família, de seus negócios e de suas propriedades.A notícia da desatenção da esposa de Gonzaga e do fato dele contratar homens para sua proteção chegou aos chefes dos cangaceiros causando insatisfação. Estes guardavam muito rancor de quem não lhes atendia seus pedidos e de quem tomava estas atitudes de defesa. Sabendo destes fatos narrados em “O Canto do Acauã” e lendo o teor do material publicado no jornal recifense “A Província”, em 11 de março de 1923, ao cruzarmos as informações, podemos facilmente deduzir que Gonzaga estando com homens armados para lhe proteger e com o comandante da volante cearense arranchado em sua casa, se sentiu seguro para relatar ao tenente Montenegro os problemas que acontecia consigo e a ligação de parentesco entre Ioiô Maroto e Sinhô Pereira. Depois do fracasso da atuação de sua volante em Pernambuco, da reprimenda do tenente Cardim, não é difícil imaginar que o tenente Montenegro deduziu que fazer uma visita ao parente de Sinhô Pereira poderia lhe trazer alguma vantagem. Evidente que isso é apenas uma dedução e nada impede que a triste sina de muitas pessoas de “botarem lenha na fogueira”, possa ter desencadeado tudo que ocorreu depois.

Túnel do Tempo (19/10 a 25/10)

Nesse domingo (19), há exatos 85 anos, em 19/10/1929, era criada dez cadeiras de instrução primária (grupo escolar) no Estado de Pernambuco, entre eles, uma no povoado de Sitio Novos e na Fazenda Cipós, em Vila Bela (Serra Talhada). Era prefeito municipal o coronel Francisco Alves de Carvalho Barros (Tutu).

Nessa segunda-feira (20), há exatos 92 anos, em 20/10/1922, o cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, invadia e saqueada a cidade de São José do Belmonte (PE) onde assassinaram o rico comerciante e prefeito eleito, coronel Luiz Gonzaga Lopes Ferraz. Segundo alguns relatos posteriores em livros históricos, Lampião não tinha nenhum inimizade com o coronel mas atacou a cidade e matou o comerciante a pedido de Crispim Pereira Araújo, o “Yoyo Maroto”, parente do cangaceiro Sebastião Pereira e Silva, o “Sinhô Pereira”, e inimigo político do coronel Gonzaga. Depois disso a viúva vai embora do estado.

Nesta terça-feira (21), há exatos 40 anos, em 21/10/1974, a Revista Veja, traz uma reportagem com o candidato ao senado pernambucano, sr. Marcos Freire (MDB) dizendo que “na semana passada, 45 dias depois de que se comentou pela primeira vez no nome para o Senado, Freire falou a 5 mil pessoas em Petrolina, um reduto que a ARENA considerava fechado para a oposição.”O povo do agreste ao sertão gamou no galego”, diz o sempre expansivo deputado Fernando Lyra”. Mais a frente conta sobre um episodio que aconteceu em 1966 com o deputado estadual Argemiro Pereira (ARENA) e o ex-governador e senador Nilo Coelho (ARENA) dizendo que “a um reticente chefe politico de Serra Talhada, interior de Pernambuco, ele (Nilo Coelho) então sugeriu: ou o senhor vota no doutor Cleophas ou não toma cafezinho no palácio Frei Caneca nos próximos quatros anos”. A revista Veja não revela a resposta, mas segundo o jornalista Sebastião Nery, em seu Folkore Politico, o deputado Argemiro Pereira teria dito que “minha mão murcha se eu pedi votos pra Cleophas”. O deputado Lívio Valença definiu assim a candidatura ao senado de Marcos Freire: “Soltaram a onça no chiqueiro dos bodes”. Já o extinto Jornal da Cidade convidou, naquele ano, o jornalista Nagib Jorge Neto, integrante da equipe que cuidava da imagem de João Cleophas, para traçar um perfil do candidato. O jornalista político aproveitou para fazer uma análise do quadro e enumerou algumas vantagens que Cleophas tinha a seu favor, e, entre elas, estava a maior capacidade que a ARENA tinha de arregimentar recursos para a campanha do seu candidato. Outro fator positivo destacado por Nagib era a própria estrutura da ARENA, pois o partido tinha 12 dos 15 deputados federais por Pernambuco, 30 dos 39 deputados estaduais, 164 diretórios municipais contra 64 do MDB, um mil vereadores e abrigava nada menos de 98% dos 164 prefeitos. Era uma vantagem considerável em termos de números absolutos, porém, contra qualquer indicativo o vencedor foi o deputado Marcos Freire (MDB), que se elegeu senador em 1974.

Nesta quarta-feira (22), há exatos 37 anos, em 22/10/1977, o deputado federal Inocêncio Oliveira sobe na tribuna da Camara dos Deputados e Reprova o enfoque conferido pela Rede Globo de Televisão ao programa “O Pistoleiro de Serra Talhada”, da série Globo Repórter Pesquisa. Lamenta que a emissora tenha acentuado apenas fatores negativos, como o alto índice de criminalidade e o fanatismo, que, embora ainda presentes naquele município pernambucano, não se sobrepõem aos aspectos positivos, que julga igualmente dignos de destaque. Entende que a oportunidade poderia ter sido aproveitada para o lançamento de campanha educacional de combate ao crime. Esse programa foi transmitido em reverência as escaramuças de Vilmar Gaia, que foi perseguido e procurado por um força especial da PM comandada na época pelo major José Ferreira dos Anjos, o Ferreirinha.

Nesta quinta-feira (23), há exatos 120 anos, em 23/10/1894, nascia o sr. João Alves de Barros, o coronel João Lucas, na Fazenda Piranhas, em Serra Talhada (PE). Filho de Lucas Alves de Barros e de Benvenuta Benigna de Barros, João Lucas ainda jovem recebeu a liderança política da família Carvalho, com a morte prematura do coronel Chico Alves, da Barra do Exu, morto em 1921. Político de rara habilidade, João Lucas gozava de grande prestígio na esfera regional por sua amizade com o deputado Eurico de Souza Leão. Foi eleito prefeito de Serra Talhada (PE) no período de 1925 a 1928, realizando várias obras, sendo a principal o Açougue Público, hoje onde está o prédio da Prefeitura Municipal, contribuindo para o progresso local. Perdeu o poder político local em 1930, após Getúlio Vargas perder as eleições presidenciais e o assassinato de João Pessoa que culminou com o golpe revolucionário, e João Lucas foi preso e encaminhado para o IV Exército em Recife (PE). Em liberdade, passou o resto de sua vida fazendo oposição aos correligionários do governo Vargas.

Nesta sexta-feira (24), há exatos 110 anos, em 24/10/1904, o jornal “A Província” publicava que foi realiza em 21 de setembro do mesmo ano “na casa da Fazenda Barra do Exu, do coronel Antônio Alves da Fonseca Barros, uma reunião do Partido Revisionista de Vila Bela (Serra Talhada) sobre a presidência do dito coronel e com os seguintes membros, coronel Antônio Alves da Fonseca Barros (presidente), major Tiburcio Valeriano Gomes de Lima (vice-presidente), Francisco de Morais Nogueira (1º secretario), capitão David Rodrigues Pereira (2 secretario) e os membros tenente-coronel Olavo Horacio de Andrade, Manoel Emiliano de Morais, Antônio Nunes de Souza, Manoel Alexandre Gomes de Lima, José Nunes Nogueira de Barros, Joaquim Alves de Barros, Agnello Alves de Barros, Antônio Nunes de Barros, Antônio Epaminondas Nogueira de Barros, Raymundo Gomes de Barros, José Alves da Silveira Lima, João Timoteo de Lima, Saturnino Alves de Barros, João Nunes Xavier de Morais, Francisco Barbosa de Barros, José Otaviano de Barros, Daniel Damião Nunes, João Nepomuceno de Magalhães, Arcôncio Affonso de Magalhães Andrada, José Laurentino de Magalhães e Antônio de Morais Nogueira”. Essa dita reunião foi o ponta-pé inicial para a eleição conciliatória entre as famílias Pereira e Carvalho que culminou com a escolha do fazendeiro José Pereira da Silva e Sá (Zuza da Canafístula), sobrinho do coronel Antônio Alves e primo-cunhado do coronel Antônio Pereira da Silva, filho do Barão do Pajeú.

Neste sábado (25), há exatos 145 anos, em 25/10/1869, era exonerado pelo presidente da provincia o diretor-geral de instrução publica (secretário estadual de Sáude e Educação), o bacharel Dr. Joaquim Gonçalves de Lima, nascido na Fazenda São João dos Limas, em Vila Bela (Serra Talhada). O Dr. Joaquim Lima havia sido nomeado em 1 de junho do mesmo ano no lugar do sr. Braz Florencio Henriques de Souza, que foi nomeado presidente da provincia do Maranhão e estava em exercicio desde o dia 9 de abril. Esse cargo era ocupado durante muito tempo pelo sr. Machado Portela, que havia ido tomar posse como deputado federal e quando terminou seu exercício dos trabalhos na Câmara dos Deputados, do Rio de Janeiro (RJ), assumiu novamente o posto que estava com o Dr. Joaquim Lima. Em Pernambuco existia na época 127 cadeiras (grupo escolar) do sexo masculino e 90 cadeiras (grupo escolar) do sexo feminino, sendo 2 masculinas em Vila Bela.

O Linguarudo #01

Por Luiz Ferraz Filho

A despedida do ex-vereador Didácio Ferraz

Nessa semana a cidade de Serra Talhada (PE) velou e sepultou o ex-vereador e vice-prefeito Didácio Alves Ferraz Nogueira, que faleceu na última quarta-feira (15) de causas naturais. Nascido em 1926, em Serra Talhada, o mesmo era filho de Severiano Ferraz Nogueira e Ritinha Alves, ambos de tradicionais famílias politicas da região. O pai de Didácio, o sr. Severiano Ferraz, era irmão do ex-vereador Izaias Ferraz Nogueira e foi durante anos advogado de pequenas causas na cidade. A mãe do mesmo, dona Ritinha, era irmã do ex-vereador Miano Alves dos Santos, da Fazenda Cipós. Didácio entrou na política aos 36 anos, em 1962, quando foi eleito vereador com expressiva votação apoiando a candidatura do ex-prefeito Luiz Lorena. Era ele presidente da Câmara de Vereadores quando houve o golpe revolucionário de 1964, qua instalou a didatura militar. Na eleição seguinte, em 1968, apoiou a chapa Nildo Pereira-Tião Oliveira. Prestigiado pelos governadores da ARENA, Didácio Ferraz teve forte influência com os agricultores da região, inclusive, com seus tratores e caminhões pessoais que beneficiavam seus correligionários. Em 1985, o prefeito Tião Oliveira nomeou seu filho, Vavá Ferraz, para a secretaria de agricultura, época de maior destaque politico de Didácio. Eleito em 1988 e em 1992, foi nessa última eleição o segundo mais votado com cerca de 1 mil e 100 votos. Cacifado e experiente na política municipal, Didácio foi candidato a vice-prefeito em 1996, na chapa de Tião Oliveira. Eleitos com idade já avançada, os dois ainda conseguiram desenvolver um governo muito lembrando pela população pelo pagamento em dia apesar das dificuldades financeiras. Ao saber de sua morte, imediatamente o prefeito Luciano Duque, seu ex-genro, decretou luto oficial no município.

A rasteira em Inocêncio – Nessa semana o mundo político local que já estava fervendo com a polarização da disputa presidencial foi supreendido com a noticia que o deputado federal Inocêncio Oliveira teve o comando do PR-PE retirado de suas mãos. Em ato anti-democrático, o senador Alfredo Nascimento (PR-AM) e o senador Antônio Carlos (PR-SP) passou o comando do partido para o jovem deputado Anderson Ferreira, filho do ex-deputado Manoel Ferreira. Com certeza o deputado Inocêncio não deixará barato a história. Aguardaremos.

O Ti-Ti-Ti na cidade – O fofocametro da cidade é grande com relação ao ex-prefeito Carlos Evandro Pereira de Menezes. Nos bastidores corre a noticia da pré-candidatura de sua esposa, a ex-secretária de Saúde, Socorro Brito, porém, a baixa votação dada pelo ex-prefeito aos seus candidatos a deputado federal (Marinaldo Rosendo) e estadual (Lucas Ramos) seria o maior ponto fraco para emplacar a pré-candidatura.

Luciano Duque X Duquinho – Pegou mal para alguns integrantes do grupo político do prefeito e de seu partido (PT) a investida do irmão do mesmo, Duquinho, em dois candidatos da Frente Popular que tiveram uma votação regular em Serra Talhada. Os candidatos escolhidos por Duquinho, o estadual Waldemar Borges e o federal Felipe Carreras, era o que tinha de melhor na cozinha do ex-governador Eduardo Campos (PSB), que na eleição passada deu total apoio e se empenhou pessoalmente na candidatura de Sebastião Oliveira (PR), adversário de Luciano Duque.

Kaio Maniçoba X Inocêncio Oliveira – A eleição histórica do florestano Kaio Maniçoba foi muito similar ao ocorrido com Inocêncio Oliveira há 40 anos atrás. Com um irmão na prefeitura, o ex-prefeito Tião Oliveira, o jovem médico Inocêncio foi candidato olímpico ao cargo de deputado federal fazendo dobradinha com o deputado estadual Argemiro Pereira, que tirou 60 mil votos contra apenas 33 mil de Inocêncio. Com a mãe, Rorró Maniçoba, na prefeitura de Floresta (PE), o deputado Kaio Maniçoba tirou 28 mil votos em eleição olímpica contra 68 mil votos do deputado estadual Rodrigo Novaes que o mesmo fazia dobradinha. São segredos obscuros essas urnas.

PONTO POSITIVO – Depois de muitos anos de desordem e desorganização, parece que viveremos novos ares no trânsito da cidade. Tanto a STTrans, que essa semana começou com uma fiscalização educativa, como o secretário municipal Célio Antunes, que está tentando organizar o trânsito com um novo traçado no Alto da Conceição, estão contribuindo para uma avaliação positiva do governo Luciano Duque (PT).

PONTO NEGATIVO – Em uma eleição que quase todos os candidatos contaram com a poluição visual dos cavaletes, a Justiça Eleitoral bem que poderia autorizar os antigos comícios e militantes com suas bandeiras e camisas de candidatos. Com essa autorização, geraria um emprego bom, com uma renda boa e provissória para alguns militantes. Além disso, alguns candidatos que costumam aparecer nas eleições como o “pobrezinho” que não tem nenhum recurso financeiro ficaram bastante bonitos nos diversos outdoores, cavaletes e adesivos estilizados em carrões de luxo, inclusive, comprando voto na calada da noite a preço da grama de ouro. Deixar pra lá. A justiça é cega mesmo.

* O Linguarudo será uma coluna semanal no estilo do Jornal O Linguarudo que atuou durante alguns anos na imprensa serra-talhadense. Essa coluna tem por visão revelar bastidores da sociedade e da política municipal. Essa coluna será assinada por formadores de opinião d município, porém, não representará de maneira alguma a opinião do Blog. 

A Mentira da Verdade #06

O filho de meu bem

Serra Talhada, inicio de 76. Com a vitória de Marcos Freire para o senado em 74 o MDB começou a montar os diretórios do partido em cidades de médio porte do interior. Em Serra Talhada é feito o diretório do MDB que busca dentro do partido uma cara nova para disputar a prefeitura daquele ano. Um jovem com cabeleira a lá Ronnie Von, bom de tribuna, de família rica e conceituada é escolhido pelo partido como pré-candidato a prefeitura. Seu nome cresce e chega até os ouvidos de um deputado primo de sua mãe. Ele é chamado ao palácio onde encontra-se com o governador Moura Cavalcanti:

- Consiga a retirada da candidatura do MDB e garanta sua reeleição tranquila.

Ele chegou então em Serra Talhada. Chamou a família e tentou a retirada da candidatura. A solução foi a transferência dele por um tempo para um estado ao Norte do Brasil. Era ele funcionário da Celpe. Era ele filho de um senhor chamado cariosamente de Meu Bem. E foi embora o filho de meu bem. Em seu lugar foi escolhido um vendedor de sandálias e o deputado que “conseguiu” a retirada da candidatura conseguiu ser reeleito. No último domingo, o jovem já sessentão foi candidato a deputado federal com o slogan “Sem ódio e sem medo”, o mesmo de Marcos Freire. Realmente, apesar desse fato passado de nossa história política, o mesmo continuou sem ódio e sem medo.